Arquivo da categoria ‘Reflexões’

Algumas considerações sobre o CBBD 2009

13 Julho 2009

Como primeiro congresso que participei, tive surpresas e decepções ao longo do evento.

Ao receber a programação oficial, fiquei frustado em não encontrar meu nome  junto ao dos demais autores. Também me causou surpresa em encontrar apenas sobrenomes em alguns trabalhos, ou o último sobrenome grafado em letras maiúsculas. O motivo? Desconheço. É um trabalho gráfico lamentável, para dizer o mínimo.

Quanto a apresentação dos trabalhos, deparei-me com todas: das péssimas às excelentes. Em virtude disso, a qualidade de algumas apresentações ficaram aquém do esperado, embora o assunto fosse interessante. Isso também me fez pensar na responsabilidade em apresentar algo para um grupo de profissionais, além de levar o nome da sua instituição a público, representando-a.

O horário das apresentações também ficou comprometido em alguns casos, geralmente pelo fato de um apresentador ter ultrapassado um pouco os 20 minutos permitidos. Isso afeta as apresentações em outras salas, pois corre-se o risco de perder o começo das mesmas. No entanto, reconheço que a questão do tempo seja um pouco mais difícil de controlar.

O tema (Redes de Conhecimento, Acesso à Informação e Gestão Sustentável) permitiu conhecer os diversos diferentes temas tratados pela biblioteconomia atualmente. No entanto, os trabalhos que assisti, relacionados a tecnologias, propriedade intelectual e bibliotemetria, não me mostraram muitas novidades, visto que já tenho um certo conhecimento desses assuntos. Mas também não procurei por outros temas , como os relacionados a responsabilidade social,  pois é um assunto que não me atrai.

A organização do evento, de modo geral, mostrou um bom trabalho, mas aponto aqui alguns detalhes. No momento da inscrição, havia um campo para preencher com “Nome do crachá”, porém, no dia de entrega de material, o nome que escolhi não foi respeitado e colocaram meu nome completo. Um ponto crucial foi a entrega do programa oficial separado do restante do material. O motivo? Mais uma vez desconheço. O pior foi que entregaram tanto durante as apresentações dos trabalhos como na feira de expositores, e no fim fiquei com mais de um exemplar. Outro ponto lamentável refere-se aos anais. Foi uma decepção verificar que não oferece uma busca por autores, nem por título, nem por palavras-chave, mas somente por um do temas do tema central do evento. Repito: é lamentável, sobretudo numa profissão que apregoa o acesso à informação e coisa e tal. Outro detalhe foi a entrega do atestado de matrícula, “exigido” para os estudantes, que passou despercebido pelos funcionários que distribuíam o material. Se eu não tivesse perguntado onde entregava, aparentemente não ia fazer falta nenhuma para eles.

O Centro de Convenções de Bonito é um lugar bastante agradável e possui uma arquitetura e infraestrutura bastantes adequadas. Quanto aos expositores, haviam vários: desde os editores de bases de dados, passando pelos softwares de bibliotecas, instituições e até uma ONG e uma loja expondo produtos típicos e souvenires.

Espero que em congressos futuros encontre melhorias. Conforme prometido, algumas fotos do evento encontram-se no meu Flickr.

Blogs e a sua carreira

11 Fevereiro 2009

O blog pode ser bom para a carreira acadêmica? A idéia deste post surgiu a partir deste: Blogging: Career-Building Block or Blunder?

É uma discussão que ainda não encontrei nos blogs de biblioteconomia brasileiros. Poderá ser um instrumento de grande valia tanto para promover-se como para promover a área, é verdade. Deve-se ter cuidado com o marketing pessoal para evitar exageros. Ótimo, os blogs são excelentes ferramentas para esse fim, além de serem de utilização intuitiva.

Mas… como divulgá-los? Na universidade? Entre os colegas do curso? Tudo depende do conteúdo. Se for de caráter mais informativo, ou seja, apresenta eventos e oportunidades de emprego, atingirá um público maior. Se apresentar mais reflexões pessoais da área do blog, também será de grande valia, atraindo mais ou menos leitores.

Esses e outros temas, como todos referentes a Internet e tecnologia, serão ainda muito discutidos. Além de demonstrarem que você faz parte de uma comunidade, os blogs oferecem a oportunidade de expressar-se sobre assuntos diversos.

Pensando a tecnologia

16 Dezembro 2008

“[...] a tecnologia não determina a sociedade. [...]” (p. 25)

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999. (A era da informação: economia, sociedade e cultura, v. 1).

 É curioso se deparar com uma frase como essa, sobretudo por ter sido escrita por Castells, sociológo espanhol que, querendo ou não, defende as tecnologias, além de ter causado uma certa revolução ao analisar como elas modificaram  as relações humanas em todos os níveis, em maior ou menor grau. Essa frase me traz certa tranquilidade. Em uma sociedade absurdamente atrelada à um mínimo de tecnologia (e aqui me lembro de outra passagem de Castells, no qual diz que cada sociedade tem sua tecnologia, por mais rústica que seja), ainda há espaço para atividades puramente humanas, isto é , para as quais não dependemos de máquinas: pensar, meditar, descansar etc.

Mas o que é o homem sem a máquina? Com certeza, há muitos estudos sobre isso, mesmo que eu não saiba absolutamente nada. Mas como é possível afirmas  “com certeza”? Simples, nada que uma busca na Internet não resolva. Melhor ainda: posso ter apenas ouvido falar. E esse “ouvir falar” tenderá, cada vez mais, a ser trocado por ”li num blog”, ”vi no site da revista/jornal…”. Cada vez mais, assim, a máquina passa a definir a visão de mundo do homem. É por isso, também, que vez  ou outra encontra-se artigos relacionados à “maquinização/tecnologização do homem”. É uma armadilha muito fácil de se cair, infelizmente. Não é nada, no entanto, que o homem não possa resolver por si mesmo… sem máquina ou tecnologia, é claro.

Um projeto fascinante que ajuda a tentar compreender esta nova era em que vivemos

15 Dezembro 2008

Em janeiro de 2008 a Biblioteca do Congresso americano decidiu disponibilizar 3 mil fotos históricas de seu acervo  no Flickr,  um ambiente popular de  colaboração, memória e troca de fotos da web em:

http://www.flickr.com/photos/library_of_congress  

Neste final de dezembro o número de fotos da coleção da Biblioteca do Congresso Americano  no Flickr já é de  4 mil, com cerca de mais de 10 milhões de visitas no periodo. A BC disponibilizou agora um Relatório contando esta experiência de tornar este seu material livre em um ambiente popular de colaboração eletrônica. 

É um  um projeto fascinante que ajuda a tentar compreender esta nova era digital de interação e publicação de uma memória cultural para uma grande audiência e de como os meios eletrônicos de comunicação e convivência humana estão se modificando. 

Agora dizemos vou entrar em um arquivo indicando a idéia de viagem e permanência no local da informação e esta possibilidade de ingresso mostra a circunstância da disponibilidade digital da memória ou da informação. Entrar em um arquivo de memória sozinho e com seus próprios passos é como trilhar um  labirinto desvendado pelo olhar compartilhado com tantos.

A colocação desta memória fotográfica no flickr gerou perto de 70 mil novas etiquetas (tags) entre os seus milhões de visitantes e muitas destas etiquetas jamais teriam sido pensadas para a classificação das fotos na Biblioteca do Congresso.

O relatório está em inglês e em PDF; livre para ser lido ou baixado para seu PC no endereço:

http://www.loc.gov/rr/print/flickr_pilot.html 

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A mensagem acima, que recebi por e-mail, demonstra o potencial colaborativo da web 2.0. Esse fenômeno permite que os consumidores de conteúdos digitais também o produzam, fato que ocorreu com a página do Flickr criada pela Biblioteca do Congresso (Library of Congress).

O que me motivou a divulgar essa informação não foi a já conhecida participação dos usuários na elaboração daqueles conteúdos. Nem o modo de como os usuários podem (pelo menos, potencialmente) auxiliar os bibliotecários (nesse caso, inserindo tags nas fotos). O que realmente ocorre é que o trabalho do bibliotecário poderá tornar-se um pouco menos “obscuro”, por assim dizer. A iniciativa da Biblioteca demonstra que o fazer bibliotecário está muito além dos livros, contrariando o senso comum. Vai além, ainda, da catalogação, indexação, classificação. Com o passar dos anos, espera-se cada vez mais que os profissionais da informação atuem nos ambientes virtuais e façam uso de ferramentas da web 2.0. É uma excelente oportunidade para dar visiblidade à profissão, já que a mesma é cercada de um certo “mistério”. Talvez as regras, códigos e leis da biblioteconomia tornem-se flexíveis. E isso talvez de fato seja necessário, pois muitas pessoas produzindo diferentes informações em suportes variados exigirá um esforço árduo dos profissionais da informação a fim de organizar, na medida do possível, essas novas formas de conhecimento.

Velório de livros na Bahia

7 Setembro 2008

Funcionários da Universidade do Estado da Bahia fizeram um velório simbólico para protestar contra o descaso com o acervo da biblioteca local. Segundo os funcionários da biblioteca, a campanha “Preservação do Acervo” pretende conscientizar sobre a utilização do material, com mensagens educativas e exposição de exemplares danificados. De acordo com o jornal A Tarde, a campanha agradou os estudantes, que vêem a biblioteca uma de suas fontes de conhecimento.

 

Fonte: Boletim PNLL – Edição nº 119 – 01 a -7/09/2008

 

Uma iniciativa muito interessante. Trata-se de uma maneira de chamar a atenção acerca do descaso sobre qual a biblioteca pública brasileira vem passando, seja pela falta de recursos financeiros, seja pela falta de um profissional bibliotecário. O mais curioso é o fato dos estudantes utilizarem biblioteca, o que dá a entender segundo a mensagem veiculada pelo jornal. Se a utilizam de fato,  isso revela que as biblioteca de suas escolas provavelmente devem estar tão mal cuidadas quanto a que utilizam.

 

É possível supor que a má conservação do acervo é deccorente não apenas da falta de preservação, mas também pelo mal uso que se faz dos materiais, como grifar trechos de textos. Provavelmente, se a biblioteca oferecesse um treinamento de usuários, esses casos se tornariam menos comuns.

Sobre a credibilidade da informação

28 Julho 2008

A Internet deu às pessoas de todos os cantos do planeta a possibilidade de serem ouvidas e de se fazerem ouvir. Seja por meio de blogs, vídeos, imagens ou quaisquer outros recursos, todos os dias as informações produzidas por esses autores “anônimos” aumentam espantosamente. Mas quanto se aproveita delas? Talvez 1% ou menos… ou um pouco mais do que isso. Dependerá do usuário e da informação que procura, por exemplo. Ao encontrá-la num blog, é comum se reportar a fontes confiáveis, como sites de notícias, de jornais impressos e científicos.

No entanto, o que se procura na fonte de informação confiável é a neutralidade comum à notícia jornalística, porque a informação propriamente dita já foi localizada. Deseja-se, com isso, averiguar a validade dos argumentos do (a) autor (a), visto que não são reconhecidos com autoridade no assunto, exceto blogs de colunistas de jornais ou revistas e de jornalistas. Assim, não fica difícil informar-se pela Internet, mas acreditar naquilo que se lê no ambiente virtual. Esse é um dos problemas da nova era.

A informação sempre correu solta

22 Julho 2008

É comum ouvir em diversos lugares, em vários textos que vivemos na Era da Informação. Mas porque apenas agora a informação tomou tamanha importância a ponto de tornar-se nome de uma Era, de um momento histórico?

Um primeiro ponto a ser considerado são as tecnologias da informação. Nunca se viu, em qualquer outro período da história, a informação correr solta como hoje. Não que em outros tempos ela não fosse divulgada, porém restringia-se a grupos sociais menores. O fenômeno verificado hoje só foi possível com o surgimento de celulares, televisão, rádio, internet, palmtops, computadores… tudo isso pode ser considerado tecnologia da informação porque transmite informação e permite sua propagação rápida e ampla. É fato que mais informações chegam até as pessoas, mas muito pouco do que realmente se deseja saber. Assim, a quantidade informações produzidas é diretamente proporcional a dificuldade de se achar uma uma que seja específica.

Outro ponto: a informação possui valor agregado, transformando-se num bem que pode gerar lucro. Um exemplo disso é uma caso interessante que ouvi certa vez. Um supermercado notou que nos finais de semana eram vendidos dois itens nos finais de semana do que durante a semana. Tal fato ocorria com certa freqüência, pois os pais saíam para as compras enquanto as mães arrumavam a casa. Contudo, nem sempre seguiam a lista de compras, mas nunca se esqueciam de dois itens: fraldas e cerveja. Levavam a fralda para que as mães não brigassem depois (ai se esquecessem…) e a cerveja para acompanhar o futebol. De posse dessa informação, o supermercado deixou esses itens em corredores próximos para vendê-los mais e, assim, lucrar mais.

É por essas e outras que vivemos na Era da Informação.

A biblioteca é assim

15 Julho 2008

Nela, o tempo parece não passar para as informações nela contidas. Sobretudo as registradas em livros. Caso contrário, que seria delas? É fato que a literatura nas áreas de Exatas e Biológicas evolui e torna-se ultrapassada rapidamente, o que não ocorre com tanta freqüência nas Humanas. Se assim fosse, Michel Foucault não seria estudado ainda hoje…

Assim, a mudança do papel das bibliotecas é visível hoje. Até o início do século XIX, quando surge a idéia de biblioteca pública baseada nos princípios democráticos da Revolução Francesa, seu papel, bem como de seus bibliótecários, era mais de um “guardião” do que de um bibliotecário propriamente dito. Tal posição é legado de Alexandria, quando na mítica biblioteca estudiosos de diversas regiões reuniam-se para estudar. E perdurou durante a Idade Média, modificando-se no início do século XIX.

Querer é poder!

14 Julho 2008

Apesar das constatações infelizes em “Biblioteca…”, publicado em 13 de julho de 2008 neste blog, esforços individuais vêm sendo realizados. Um exemplo é o relatado no jornal O Estado de São Paulo, de 14 de julho de 2008, que publicou a matéria intitulada Faxineira monta biblioteca em comunidade carente de SP.

Atitudes como a de Deusa, protagonista da reportagem, revelam que com muito pouco e também com a ajuda dos outros é possível estimular a leitura.  Nesse caso, a biblioteca foi construída pela própria Deusa por gostar de ler. Na reportagem integral publicada no jornal impresso, no dia 14 de julho de 2008, consta a informação de que a biblioteca possui 3 mil livros e não há mais de um exemplar do mesmo livro por falta de espaço. Além do empréstimo, Deusa pretende promover outras atividades para as crianças e adolescentes que freqüentam a biblioteca.

Outros atitudes semelhantes já tiveram espaço na mídia, porém praticamente em todos não se teve outra notícia além da construção da biblioteca. Não se sabe como continuou o projeto, se a biblioteca foi ampliada, se o número de usuários cresceu, se o acervo aumentou… absolutamente nada. Provavelmente não, porque se projetos como esse tivesse algum tipo de auxílio financeiro, certamente teriam algum destaque. No entanto, persistem, apesar de parecerem que nunca tivessem existido.

Biblioteca…

13 Julho 2008

…não dá voto.

… não está incluída em pacotes turísticos.

… é pouquíssimo utilizada.

… no Brasil está tecnologicamente defasada.

… carece de bibliotecários formados.

… carece de funcionários qualificados.

Esse é o triste mundo bibliotecário.